Centro Cultural de Plataforma completa 10 anos de atividade
- Baianidade News
- 17 de mai. de 2022
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Neste período, a organização se tornou um símbolo do movimento popular e expressão artística do Subúrbio.
Por Fernanda Rodrigues e Natan Santana
Conhecido inicialmente como Cine Plataforma, construído por volta de 1930, o primeiro objetivo do local era exibir filmes para operários como forma de distração. Nessa época, o Subúrbio era um centro administrativo, onde várias fábricas foram instauradas. Após a diminuição do tráfego de trabalhadores e o fechamento das grandes indústrias, o Cine permaneceu 10 anos fechado e retornou com outro nome e objetivo.
Atualmente o renomeado Centro Cultural de Plataforma se tornou um símbolo do movimento popular e expressão artística do subúrbio, já que sua gestão e seus telespectadores são formados por suburbanos, pessoas da própria comunidade que apoiam os eventos apresentados no CCP.
O Centro possui projetos criados pelos próprios organizadores, dentre eles o Caldeirão Cultural e o Plataforma de Talentos. Todos eles são de livre acesso para os moradores locais e as atrações artístico-culturais são realizadas por qualquer artista que esteja disposto a divulgar seu produto para o público. Grande parte dos eventos é aberta e gratuita para todas as idades.
O teatro possui uma sala principal ampla com capacidade para 206 pessoas e com acessibilidade. São duas salas de ensaio e uma área de transmissão, onde os componentes do palco são controlados por profissionais. Tudo isso é interligado por um longo corredor com desenhos espalhados pelas paredes e uma área de lazer ao fundo, que também serve para ensaios quando necessário.

Frente Centro Cultural de Plataforma — Foto: Reprodução/Instagram/CCP
Além disso, o local também apoia artistas individuais e apresentações que não possuem vínculo direto com o Centro. Escolas costumam realizar eventos previamente marcados com a diretoria, grupos socioculturais também podem se apresentar gratuitamente em dias específicos e algumas das atrações são até mesmo levadas para fora do teatro, como uma ligação com os moradores de Plataforma.
O teatro é localizado na Praça São Braz, em frente à Igreja São Braz, onde inúmeras pessoas passam diariamente e aproveitam como forma de lazer. Quando algumas das apresentações são interligadas com o exterior do CCP, há uma certa conexão com o público que não costuma frequentar espaços culturais, transmitindo a ideia de que todo ambiente pode ser utilizado para compartilhar e demonstrar arte.
O CCP faz parte de um dos 17 espaços culturais vinculados a Diretoria de Espaços Culturais (DEC). Patrocinado e monitorado pela Secretaria de Cultura e o Governo do Estado da Bahia, vale lembrar que o centro só recebeu permissão e fundos para reabertura após protestos e mobilizações organizadas pelos próprios moradores do Subúrbio Ferroviário que sentiam falta de certa representatividade artística na periferia e de um lugar onde a arte pudesse ser praticada de maneira que fosse reconhecida.
Brendon Copque (24), artista, modelo, bailarino e costureiro que passou grande parte de sua infância e adolescência como integrante dos grupos artísticos do CCP, fala sobre a importância da área cultural em meio à tantas minorias presentes nas favelas.
‘’Crescer em um ambiente cultural foi muito importante pra meu eu criança. Como um jovem preto e queer, esse espaço de expressão e de descoberta foi uma grande válvula de escape, um alívio no meio de tanta indiferença, tanta falta de empatia. Acredito que se mais espaços culturais como esse fossem financiados e construídos em locais periféricos nós perderíamos muito menos jovens para as drogas ou até mesmo pra tristeza que acomete nosso povo no Brasil.’’

Sala principal de transmissão Centro Cultural de Plataforma — Foto: Reprodução/Instagram/CCP
IMPACTO CAUSADO NA PANDEMIA
O Coordenador do centro Marcio Bacelar (38) com experiência de 8 anos no cargo, explica que a instituição na pandemia sofreu alguns impactos, principalmente relacionados à contribuição recebida, que por conta de cortes, prejudicou vários artistas que não tinham outra forma de sustento. ‘’No primeiro momento nossa maior preocupação foi em relação a sustentabilidade das pessoas e dos grupos. Boa parte não possuía renda fixa, muitos dependiam do pouco recurso arrecadado na bilheteria para se manter.’’, conta.
Dentre todos os setores que movem a economia do Brasil, as atividades relacionadas à família, lazer e condução pessoal foram as mais atingidas segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto) levantados no segundo trimestre de 2020. ‘’Hoje nossas preocupações se tornaram realidade, dos 15 grupos residentes que tínhamos, somente 3 continuam ativos, os demais se desfizeram por questões de sustentabilidade mesmo’’, disse o coordenador, que vivenciou a queda econômica. A maioria dos integrantes teve que deixar o fazer artístico para procurar empregos formais ou subempregos, como forma de sustento.
Ainda de acordo com Marcio, as programações culturais já estão em fase de retorno. Inicialmente, ninguém queria levar suas produções para o teatro quando as flexibilizações foram iniciadas. O teatro estava trabalhando de acordo com um número específico de lotação, então os artistas não queriam transmitir sua mensagem para poucas pessoas. Agora que o fluxo normal de telespectadores retornou, as atividades estão normalizando.
O Centro Cultural de Plataforma voltou a reapresentar suas atrações no ano em que completa 10 anos de cara nova e conceito novo. As atrações do mês de maio e junho já estão confirmadas e a agenda é consultada no site oficial do teatro e nas redes sociais oficiais.



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